Tessituras em Diálogos - Maternidade em pauta - Simone de Beavoir

Neste encontro, as professoras Ana Paula Andrade e Magda Guadalupe abordam as noções de maternidade através de interpretações das obras de Simone de Beavoir atarvés de três tópicos principais:
Primeiramente, abordam-se temas centrais do capítulo sobre a Situação, a mulher casada, a mãe, entre outras, em que Beauvoir investiga sobre a história das mulheres submetidas às instituições patriarcais. Importante mencionar como a experiência da autora sobre casamento e maternidade realça-se em bases teóricas, de textos literários e psicanalíticos. Nossa autora era uma mulher solteira, burguesa, independente economicamente. Em suas análises ressoam, entretanto, dois aspectos dialeticamente dispostos. De um lado, suas próprias lembranças da infância e adolescência, registradas em tons de crítica ao modelo burguês patriarcal, moldes impostos de lidar com o papel de mulheres e homens na vida familiar. De outro, suas abordagens críticas da vida social e política, concentradas, sobretudo, em fundamentos teóricos. Nada há sobre sua experiência de vida como uma mulher que não desejou para si casamento ou maternidade.
No segundo ponto, consta a base de dominação sexual moldada como ponto de partida de outras variações de submissão. Em suas pesquisas verifica-se ser tal relação de controle tratada como condição cultural, e não como questão natural. Em O Segundo sexo, a cultura determina um olhar dominador sobre a situação de todas as mulheres em suas especificidades de vida. Tal fator se torna uma premissa indagativa das bases arquetípicas da cultura.
No terceiro tópico, sobre as dificuldades culturais sobre o tema, resultam pendentes as análises político-jurídicas, religiosas, morais e sociais sobre gravidez, aborto, casamentos, divórcios, liberdade sexual. Entre suas críticas, depara-se inclusive com temas de grande atualidade como supostos "direitos do embrião" e o desinteresse real pela criança a partir do nascimento. Beauvoir menciona como se perseguem no século XX (e pode-se estender ao século XXI) as praticantes do aborto ao invés de procurarem reformar socialmente as "escandalosas instituições" que se nomeiam como "Assistência Pública". Deixam em liberdade responsáveis que tiranizam crianças em "casas de educação" e não cuidam realmente da assistência às mães e aos filhos. Na França, nos anos 1940, lê-se sobre o suicídio de "um cirurgião condenado por práticas abortivas". E a irrisória pena de três meses de prisão com sursis (suspensão condicional da pena privativa de liberdade) por espancar um filho até quase a sua morte.
Como fechamento da apresentação, aborda-se como a relação social e psicológica da mãe, filhas e filhos não poderia ser tratada sem um olhar crítico sobre as normas da cultura a este respeito. Finalmente, somando-se um tema ao outro tem-se presente que gravidez e maternidade ainda são tópicos de complexidade histórico-social, especialmente, se hoje verificamos como questões de ordem econômica pesam sobremaneira na estrutura de poder patriarcal. O que são as mulheres? Meras reprodutoras? Trabalhadoras e reprodutoras? Ainda em processo de reconhecimento de sua real dimensão de cidadania? Tópicos que nos fazem pensar sobre a sociedade da qual participamos.
