Tessituras em Diálogos - Conceito sobre o termo gênero

27/04/2026

O encontro teve por objetivo discutir o conceito de gênero e suas implicações nas vivências sociais, a partir das quatro ondas do feminismo, destacando pautas e conquistas históricas como sufrágio, direitos reprodutivos, liberdade sexual e interseccionalidade. Propõe-se uma discussão sobre como desigualdades de gênero são construídas e naturalizadas, além de reforçar a importância de debater essas questões em diferentes áreas, especialmente na educação.

Por que falar de gênero? Por que não utilizar a palavra sexo?

Para que possamos compreender os lugares diferenciados e desiguais que nós, mulheres, ocupamos na vida social e analisar os aspectos culturais que participam na delimitação desses lugares. 

Enquanto a palavra sexo remete a distinções biológicas e inatas, o termo gênero se refere ao caráter cultural dessas distinções.

Movimento sufragista - A primeira onda

Marcada pelo final do século XIX, na América do Norte, se pauta principalmente pela teoria dos papéis sociais, as normas e regras sociais determinam os papéis femininos e masculinos. 

"As variações nas atuações individuais são limitadas, porque dependem das possibilidades abertas pelo enredo" (Piscitelli, 2009, p. 127).

 Ainda não se problematizava a inferiorização das mulheres em favor dos homens, mas buscavam "direitos iguais e a cidadania", como o direito ao voto, acesso à educação e o poder de posses e bens. Possuía um grande protagonismo das mulheres brancas de classe média alta americanas.

Movimento abolicionista

"as experiências da organização de mulheres negras podem ser encontradas na era pré guerra civil, e como as suas irmãs brancas, elas participaram em sociedades de literatura e em organizações benevolentes. Os seus maiores esforços durante esse período foram associados à causa anti-escravatura. Ao contrário das mulheres brancas, no entanto, que também massivamente entraram na campanha abolicionista, as mulheres negras foram menos motivadas pelas considerações de caridade ou por princípios morais gerais do que por exigências palpáveis de sobrevivência do seu povo. (DAVIS, 2013, p. 95)"
Segunda onda - "Não se nasce mulher, torna-se"

No início da década de 1950, a chamada segunda onda do feminismo é marcada pela publicação do livro "O segundo sexo (1949)", de Simone de Beauvoir, e de conceitos como patriarcado, mulher e opressão.

É popularizada a ideia de que somente as mudanças nas leis não são suficientes para a eliminação da dominação masculina, sendo necessário um enfrentamento em relação aos aspectos sociais que inferiorizam as mulheres. Eliminar a dominação masculina deve ser o centro das lutas feministas.

O entendimento do patriarcado enquanto um sistema social, no qual a diferença sexual é utilizada como base para a opressão e a subordinação das mulheres aos homens, bem como a compreensão do poder patriarcal como a capacidade masculina de controlar o corpo das mulheres para fins reprodutivos, contribuem para a construção de uma conexão identitária entre as mulheres. Essa conexão se fundamenta, sobretudo, na ideia de que, por serem mulheres, todas estariam sujeitas às estruturas de opressão impostas pelo patriarcado. 


Terceira onda - A qual mulher está direcionada a pauta dessas lutas?

Marcada por evidenciar que existem outras formas de opressão, outras mulheres e realidades para além da visão das mulheres brancas da classe média americana.  Ainda que todas as mulheres estejam sujeitas ao patriarcado, o gênero faz parte de um sistema de diferenças que se entrelaça com distinções de raça, classe, nacionalidade, sexualidade, idade etc.

Interseccionalidade

Kimberlé Crenshaw defende a ideia da interseção com outros poderes opressivos. Exemplo: uma mulher branca sofrerá machismo. Uma mulher negra sofrerá machismo e racismo. Uma mulher negra e lésbica sofrerá com machismo, racismo e lgbtfobia.

Quarta onda - Ativismo digital ou ciberfeminismo

Marcada pela ascensão do uso das redes sociais, pelo ativismo digital e o feminismo performativo, ou seja, a luta que coloca o corpo em evidência. Ciberfeminismo é uma subversão nos modos de luta, ocupando outros espaços, como a internet.

Movimentos digitais, como "tuitaços", blogs, sites, e perfis em redes sociais com uso de publicações atrativas, imagens, vídeos e popularização das hashtag como #EleNão; #MeuAmigoSecreto; #NãoMereçoSerEstuprada, #metoo, #niunamenos.


Referências

BEAUVOIR, Simone. O Segundo sexo – fatos e mitos; tradução de Sérgio Milliet. 4 ed. São Paulo:

Difusão Européia do Livro, 1980.

CRENSHAW, Kimberlé. Documento para o encontro de especialistas em aspectos da

discriminação racial relativos ao gênero. In.: Estudos Feministas. Florianópolis: Centro de Filosofia

e Ciências Humanas, v.7, n.12, 2002. P.171-188.

DAVIS, Angela . Mulher, raça e classe, trad. Plataforma Gueto. Trad. livre. Portugal: Plataforma

Gueto. 2013.

PISCITELLI, Adriana. Gênero: a história de um conceito. In: ALMEIDA, Heloísa Buarque de,

SZWAKO, José. Diferenças, igualdades. São Paulo: Berlendis & Vertecchia ed., 2009. p. 116-149.

SCOTT, Joan Wallach. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação & Realidade.

Porto Alegre, vol. 20, nº 2, jul./dez. 1995, pp. 71-99

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